Adicional deixa corrida de táxi mais cara

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Ao entrar em um táxi chamado por telefone ou aplicativo, você talvez já tenha se surpreendido com o taxímetro já ligado, marcando alguns bons centavos acima da bandeirada inicial. A prática tem se tornado cada vez mais frequente entre os taxistas de Curitiba, e divide opiniões. “Já discuti com muito taxista por causa desse valor a mais, mas eles sempre dizem que é algo autorizado e nenhum deles volta atrás”, diz o fotógrafo Newton Maciel, de 52 anos. Ele, que frequentemente utiliza o táxi, diz que começou a perceber a prática de dezembro para cá. “Não dá para reclamar e não dá para escolher não pagar, porque a frota de Curitiba é muito pequena e não dá para escolher pegar outro táxi”, queixa-se.

De fato, o extra sobre a bandeirada em casos de táxis chamados por telefone existe e está regulamentado pelo decreto 1.184, de agosto de 2013. Ele estipula que o valor cobrado nesses casos não pode ultrapassar 50% do valor inicial, que atualmente é de R$ 4,60. Com isso, o taxista pode chegar no local da chamada com até R$ 6,90 já marcados, ou R$ 6,80 no taxímetro, que não marca dezenas ímpares. O valor está discriminado na tabela de preços da Urbs, colada na porta de todos os táxis.

Mais caro

Novos valores na bandeirada podem superar a inflação

O último reajuste nos valores dos táxis aconteceu em dezembro de 2013. Foi a primeira alteração no valor em quatro anos. A bandeirada inicial passou de R$ 4 para R$ 4,60. Já o quilômetro rodado em bandeira 1 passou de R$ 2 para R$ 2,30 (aumento de 15%), enquanto que o valor em bandeira 2 foi de R$ 2,30 para R$ 2,80 (mais 21%). A justificativa da Urbs é incentivar o trabalho noturno para atender à demanda.

O aumento fica abaixo da inflação acumulada no período de março de 2010 a dezembro de 2013, que é de 25% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Entretanto, se considerarmos que o valor da bandeirada para corridas contratadas por telefone passou de R$ 4 para R$ 6,90 (com o adicional regulamentado pelo decreto da Urbs), o acréscimo é de 72%.

Uma corrida de quatro quilômetros com bandeira 2 em 2010 custava R$ 13,20. Com a nova cobrança e as novas tarifas, a mesma corrida pode chegar a R$ 18, ou seja, pode ser 36% mais cara.

José Carlos Gomes Pereira Filho, gestor da área de táxi e transporte comercial da Urbs, diz que a prerrogativa do taxista já existia em decretos anteriores, mas havia sido “abolida” pelas centrais como uma promoção. “Algumas rádios anunciavam que chegariam com o taxímetro desligado e todas as outras acabaram acompanhando. Como o taxista já fica à disposição do cliente a partir do momento em que ele pede o táxi, ou seja, ele não vai pegar ninguém na rua e vai se deslocar até o local, é justo que o motorista seja compensado por isso”, diz Pereira Filho.

De acordo com a Ale­xandre Silva Sousa, presidente da Rádio Táxi Capital, o valor da bandeirada adicional não estava na tabela nova, razão pela qual os motoristas não estavam cobrando o valor. “Agora voltou em decreto pelos custos do táxi, que ficou quase 4 anos sem reajuste”, justifica. Segundo ele, os clientes tendem a aceitar a cobrança por causa do valor pequeno e por entenderem a sua justificativa.

Mesmo assim, muitos taxistas continuam não cobrando o valor extra por causa de desentendimentos com os clientes. “Eu não acho errado ligar o taxímetro porque não é ilegal, mas se ligar tem de avisar o passageiro para ele não se sentir enganado. Eu opto por não ligar, porque na minha opinião não faz diferença dois reais a menos ou a mais”, diz Luiz Ruggini, taxista há 28 anos. “Se fosse obrigatório, tudo bem. Mas como não é, eu não faço”, diz Lauro Zonatto, que trabalha no ramo há 20 anos. Ele cita como exemplo outra prerrogativa de cobrança do taxista. “É igual à orientação para cobrar os R$ 2,50 por bagagem extra do passageiro. Eu prefiro não cobrar”.

Além do adicional por chamada telefônica e por bagagem extra, os taxistas podem cobrar 30% sobre o valor final por taxa de retorno, quando a corrida vai para fora dos limites de Curitiba.

Colaborou Ágatha Déa

Crédito: Gazeta do Povo

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