O PALHAÇO

O PALHAÇO E A DURA E

DIFICÍL VIDA DO CIRCO,

INÚMERAS REFERENCIAS.

Zé Domingos

         Vinte e sete de março é o “DIA DO CIRCO” e o “DIA DO ARTISTA CIRCENSE” aqueles que me acompanham sabem da admiração que tenho pelo circo e por circenses. Considero-me circense, pois, foi através o circo que abri os caminhos para chegar a profissão que ambicionei desde menino de oito anos – radialista. Foi no Circo Irmãos Queirolo então armado numa área entre as ruas Saldanha Marinho, Visconde de Nácar e Fernando Moreira onde hoje existe um largo que com doze anos falei pela primeira vez num microfone e aprovado no teste pelo Sérgio Queirolo (Harris Júnior) me torneio o locutor propagandista do circo e em dois anos depois de algumas aventuras me tornava locutor da Rádio Clube Paranaense – B- 2 então a mais importante emissora do rádio paranaense.

         Como estava em viagem a tão importante data de minha parte passou em branco, mas fiquei com o pensamento que tão logo voltasse iria me reportar em torno de tão importante veículo de comunicação e arte, talvez ou certamente o  primeiro grande elo de ligação entre o público e a arte. Houve época em que o circo era o único acesso que a platéia especialmente aquele de pontos mais distantes tinha com artistas. O circo teve momentos áureos e sua história é linda. Inúmeras famílias se formaram e se criaram em circos, sejam em circos pomposos, ricos, poderosos ou nos chamados mambembes de tanta tradição, de tantos desafios e justamente por isto fui assistir a um filme que abordava justamente o lado pobre, de luta, de sacrifício, sem saber o daqui há pouco do circense.

          Apaixonado por circo especialmente por palhaços não poderia deixar de assistir ao filme “O Palhaço” com destaque nos papeis principais para os excelentes atores Paulo José e Selton Mello e conhecedor da vida circense verifiquei que a obra mostra a realidade da mesma. È desafiante, difícil e imprevisível. Só a leva adiante quem é do meio.

Comecei como vendedor de guloseimas oferecidas ao público durante os espetáculos e depois recebi oportunidade para fazer teste como locutor e com 12 para 13 anos me tornava o divulgador do Circo Irmãos Queirolo então armado num largo entre as ruas Visconde de Nácar, Saldanha Marinho e Fernando Moreira – centro defronte ao Edifício Itália.

Do Circo Irmãos Queirolo fui para o Sud American Circus da família gaucha Candal comandado pelo senhor Marino Candal e mesmo menino viajei por quatro ou cinco meses percorrendo cidades de Santa Catarina e justamente por não ser do meio retornei para Curitiba e para casa, já que as saudades apertaram de uma forma que não tive como resistir.

Neste tempo senti de perto as dificuldades, os desafios, as tristezas e incertezas do dia a dia do circense, seja o proprietário ou empregado. . Cheguei a passar um Natal e uma entrada de ano no circo e observei de perto o sofrimento de alguns participantes do grupo. Eu mesmo senti muito, pois era um garoto e sempre recebera carinho da família e de um momento para outro me vi só, distante. À partir dali passei a pensar na volta. Muitas vezes quando a praça não corresponde os salários normalmente pagos semanalmente atrasam e as coisas se complicam.

No Circo Irmãos Queirolo que fixou como praça Curitiba percorrendo seus bairros mudando de seis em seis meses ou mesmo pouco mais dependendo do público era um pouco diferente, mas as dificuldades também eram grandes. Houve períodos em que a lona envelhecida e castigada pelo tempo apresentava muitos furos impossibilitando apresentações em dias de chuvas ou mesmo noites de mais frios.

Os Queirolo enfrentaram situações adversas para levar a arte milenar do circo à população dos bairros de Curitiba e vários de seus componentes para poderem levar uma vida decente foram para outras atividades, alguns em serviços públicos. Mesmo com muito esforço agüentaram durante anos, até que não foi mais possível manter-se e o circo depois de fazer parte da vida de diferentes gerações, fazer parte da história da cidade desapareceu.

Ainda em Curitiba e cidades vizinhas a presença de outros circos nas chamadas “trupes” de mambembes. Ginoca, o amigo Darcy Cordeiro Ramos que do circo foi inicialmente para a Rádio Guairacá e depois para a Rádio Clube Paranaense – B- 2 onde participou ao lado de Nhô Juvêncio e de Rubens Rolo do movimentado programa de auditório das segundas-feiras à partir das 20 horas e 30 minutos “O FIM DA PICADA”  sempre com auditório lotado. Ginoca até há poucos anos manteve o seu circo percorrendo bairros e cidades próximas de Curitiba e também algumas catarinenses.

Desde menino acompanhei circos e um que jamais esqueci foi o Circo Teatro Inhana que fui assistir espetáculos ainda menino lá em Castro, isto com oito ou nove anos. Jamais esqueci o palhaço de nome Biriba, o achei sensacional e anos mais tarde o vi novamente em ação. Outro comediante de circo Nhô Bastião, que durante anos percorreu com seu circo os bairros de Ponta Grossa e depois circulou por Curitiba e igualmente  deixou sua marca. Fonfom, Bibi, Tubinho, Gabiroba, Gafanhoto, Remendão, Remendinho Arrelia, Carequinha, Fred, Torresmo, Tucano, Lingüiça, estabelecido com seu circo em Curitiba inclusive participando como candidato em várias eleições, Finca-Finca, a famosa Nhá Barbina destaque também na televisão e no cinema, Chico-Boia, Tareco, Lilico, Rabanito, foram palhaços que conhecemos ao longo dos anos, mas o que mais me fez rir, como fez tanta gente foi o sensacional e sem igual Chic-Chic (Otelo Queirolo). Era um “fora de série” e só em sua entrada no picadeiro já fazia rir.

Com seu falecimento o sobrinho Lafaiete Queirolo o substituiu e embora fosse bom palhaço não pode ser comparado ao tio porque Otelo era “extra série”. O homem da “cachorra de pano” Violeta – “Deita Violeta, cala a boca Violeta” fazia o público ir ao delírio, as movimentações labiais, de rosto o faziam um palhaço diferente e especial. Fui seu fã e trabalhando como locutor tive o prazer de estar ao seu lado em muitas oportunidades. Era um homem educado, de pouca fala, extremamente atencioso, preocupado com o próximo tanto é que fazia apresentações com fins sociais e dava muito valor as pessoas e a vida. Otelo Queirolo é homenageado com nome de rua em Curitiba, cidade da qual era cidadão honorário e admirador.

Recordamos-nos do Circo Vitória que também percorreu bairros de Curitiba especializado em espetáculos de lutas livres com destaque para a Mulher Gorila, Cacique, Turquinho, Caninin “o demolidor das Mercês”, Rebeca, Rita e outros. Acompanhei também o Circo Áurea da família Cabral, comandado pelo Weimar que percorreu vários bairros de Curitiba, o Circo Gávea, também de membros da família Cabral. Juvenor Garcia, o Juve, como palhaço Tubinho ao sair do Circo Irmãos Queirolo montou o Circo Garcia visitando vários bairros de Curitiba. Ainda hoje há muitos circos com as chamadas companhias mambembes passando por cidades do interior. Com o advento da televisão ficou ainda mais complicado para os circenses, mas alguns não se entregam e mantém a tradição, é o caso da família Stancovith que está em temporada em Curitiba com circo instalado ao lado do Pinheirão, no Tarumã.

Para quem gosta de circo ou tem curiosidade em torno da vida destes artistas itinerantes recomendo assistir ao filme “O Palhaço”. Terão uma idéia de como é o dia a dia destes artistas. Os circenses merecem todo respeito, consideração e apoio. A eles tudo de bom e aplausos, muitos aplausos.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Rádio Barigui – AM – 1560 – Internet – www.radiobarigui.com – centraldetv.com.br – www.josedomingos.com.br – clicar Rádio Barigui, de segunda a sexta feira das sete as nove horas Comando da Manhã – No Mundo da Bola, telefones – (41) 3352-8686 – (41) 9972-0129

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