Deputados trocam tapas e socos na Ucrânia

Vários deputados do partido nacionalista Svoboda (Liberdade) trocaram tapas e socos nesta terça-feira com legisladores comunistas no plenário da Rada Suprema (o Parlamento ucraniano) da Ucrânia. A confusão fez com que fosse decretado um recesso momentâneo na sessão plenária. De acordo com a rede BBC, a briga começou quando dois deputados nacionalistas partiram para cima do líder do Partido Comunista da Ucrânia, Pyotr Simonenko, quando este defendia na tribuna a federalização do país e a concessão do status de língua oficial ao idioma russo.

Os nacionalistas expulsaram Simonenko da tribuna aos empurrões, e os outros deputados do grupo parlamentar comunista saíram em defesa do colega. O caos foi generalizado e os comunistas foram os que mais apanharam – a maioria é idosa. Os comunistas abandonaram a sala em protesto pela agressão contra seu líder. Após um breve recesso, a Rada retomou sua sessão para analisar um projeto de lei que endurece a responsabilidade penal por separatismo e outros crimes contra o Estado.

Graves consequências’ – O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, alertou a Rússia nesta terça-feira de que se o país voltar a violar o leste da Ucrânia haverá “consequências graves” para sua relação com a aliança. “Se a Rússia for intervir mais na Ucrânia será um erro histórico”, disse Rasmussen em entrevista coletiva em Paris. “Isso teria graves consequências para nossa relação com a Rússia e isolaria ainda mais a Rússia internacionalmente.”

A polícia ucraniana prendeu durante a noite 70 pessoas que ocupavam um prédio do governo em uma cidade do leste da Ucrânia, mas manifestantes pró-Moscou se mantiveram firmes em outras duas cidades. Kiev afirma que as ocupações fazem parte de um plano liderado pela Rússia para desmembrar a Ucrânia. O governo ucraniano afirma que a invasão de prédios públicos no leste ucraniano, importante área industrial do país e onde a maioria da população fala russo, repete os acontecimentos na Crimeia, uma península no mar Negro anexada por Moscou.

HISTÓRICO

A recusa ucraniana – 29 de novembro

O presidente ucraniano, Viktor Yanukovich (esq), ao lado do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz

A União Europeia (UE) não conseguiu convencer a Ucrânia a assinar um acordo selando sua aproximação com o Ocidente, em função da pressão de Moscou, o que constitui uma derrota para os europeus. No final da terceira cúpula da Parceria Oriental entre a UE e seis ex-repúblicas soviéticas – Ucrânia, Geórgia, Moldávia, Bielo-Rússia, Armênia e Azerbaijão – os resultados foram aquém do esperado. Somente Moldávia e Geórgia assinaram o acordo. O presidente ucraniano Viktor Yanukovich explicou que, antes de firmar um acordo, Kiev necessita “de um programa de ajuda financeira e econômica” da UE. “Não se pode, tal e como quer o presidente ucraniano, pedir que paguemos para que a Ucrânia entre nesta associação”, retrucou François Hollande, presidente da França. Saiba mais sobre por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia.

O início dos protestos – 30 de novembro

Confronto entre manifestantes e policiais, durante protesto pedindo a demissão do presidente Viktor Yanukovich

No dia seguinte à recusa ucraniana em assinar o acordo, os protestos começaram em Kiev. O centro nervoso dos protestos passou a ser a praça da Independência, no centro da capital. Logo no primeiro dia de manifestações, dezenas de pessoas ficaram feridas após a polícia dispersar com violência manifestantes que pediam a renúncia do presidente Viktor Yanukovich. A oposição ucraniana, em resposta, afirmou que convocaria uma greve geral para forçar a renúncia do presidente.

Governo sob pressão – 02 de dezembro

Manifestantes ucranianos encaram tropa de choque em protesto na Praça da Independência, no centro de Kiev

Mesmo sob o intenso frio do inverno ucraniano, os manifestantes não arredaram o pé da praça da Independência e aumentaram a pressão sobre o governo de Viktor Yanukovich. Cerca de mil manifestantes bloquearam o acesso à sede do governo da Ucrânia impedindo a entrada de funcionários. Ao menos três parlamentares do partido da situação renunciaram em solidariedade aos manifestantes. No mesmo dia, Yanukovich, telefonou para a Comissão Europeia para discutir o impasse sobre o acordo comercial que seu país rejeitou. Durante a conversa, o presidente ucraniano recebeu a informação de que a União Europeia (UE), ainda ressentida, não iria  renegociar o pacto.

Negócio da China – 03 de dezembro

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich

Deixando para trás um país convulsionado e uma situção de tensão prestes a explodir em violência, O presidente ucraniano Viktor Yanukovich viajou para a China numa tentativa de sair do foco das atenções dos protestos. Além da ira nas ruas e dos políticos da oposição, o presidente enfrentava ainda uma crescente pressão dos mercados internacionais, o que eleva o risco de uma crise financeira e quebra de confiança dos investidores no país do leste europeu. No dia seguinte à sua viagem, o primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, que ficou em Kiev para lidar com os protestos, avisou  que todos os manifestantes que violarem a lei serão punidos. O alerta foi feito depois que ministros precisaram de escolta para chegar a uma reunião em meio a uma tentativa de bloqueio dos ativistas de oposição.

EUA se manifestam – 05 de dezembro

Manifestante pinta o rosto com a bandeira da União Europeia durante protesto

Os Estados Unidos apoiam os ucranianos que protestam a favor de um futuro na Europa, e o governo deveria prestar atenção às aspirações de seu povo, declarou uma funcionária de alto escalão do Departamento de Estado. “Estamos com o povo ucraniano, que vê seu futuro na Europa”, afirmou a subsecretária de Estado de Assuntos Europeus, Victoria Nuland, na abertura em Kiev de uma reunião da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa). “Convocamos o governo da Ucrânia a ouvir a voz de seu povo, que quer viver em liberdade”, acrescentou.

A queda de Lênin (mais uma) – 08 de dezembro

Homem destrói a marteladas uma estátua do fundador do Estado soviético Vladimir Lenin, derrubada por manifestantes em Kiev

Os ucranianos que protestam contra a rejeição, pelo governo do país, ao pacto com a União Europeia, derrubaram a estátua do líder revolucionário russo Vladimir Lênin no centro da capital da Ucrânia, Kiev. Os manifestantes temem que o país esteja voltando a ter com a Rússia o tipo de relacionamento que os dois países tinham quando ainda eram parte da União Soviética e Moscou dominava Kiev. Esses temores foram agravados na sexta-feira, quando o presidente ucraniano Viktor Yanukovich se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin para estabelecer as bases de uma nova parceria estratégica.

Yanukovich ensaia um recuo – 09 de dezembro

Manifestantes seguram bandeiras do partido de oposição Svoboda e bloqueiam a entrada para o prédio do governo em Kiev

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiou a proposta de realizar uma mesa-redondanacional entre governo e oposição para solucionar a crise causada pelos grandes protestos que eclodiram no final de novembro. A proposta foi apresentada pelo primeiro chefe de Estado da Ucrânia independente, Leonid Kravchuk, de quem também partiu a iniciativa de realizar uma reunião entre o atual presidente e os três últimos mandatários para abordar a situação no país e que acontecerá amanhã, terça-feira. Recentemente, três ex-presidentes da Ucrânia, Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko, expressaram em carta aberta seu apoio aos protestos populares.

Novos confrontos violentos – 10 de dezembro

Polícia entra em confronto com os manifestantes no centro de Kiev

As forças de segurança ucranianas aumentaram a força usada para pressionar os manifestantes favoráveis à União Europeia (UE). Os protestantes foram desalojados da entrada dos principais prédios públicos violentamente durante a madrugada em Kiev, poucas horas antes da chegada da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton. Durante a visita, Ashton se reunirá com o presidente Viktor Yanukovich e tentará mediar uma aproximação entre o governo ucraniano e a oposição. Ela não fará uma ‘mediação formal’, tarefa que cabe às forças políticas ucranianas, mas uma ‘promoção ao diálogo’, destacou a UE em comunicado distribuído à imprensa. Na madrugada seguinte, as tropas de choque da polícia ucraniana avançaram sobre os manifestantes que ocupavam a praça da Independência, no coração da capital Kiev. Apesar do frio de 13º negativos, cerca de quinze mil pessoas acampavam na praça. Em protesto, os manifestantes cantavam o hino nacional da Ucrânia.  Após alguns enfrentamentos, os batalhões das tropas de choque conseguiram ocupar a maior parte da Praça Independência, embora ainda existiam focos de resistência no local.

EUA entram em campo – 11 de dezembro

Manifestante com uma bandeira da União Européia nos ombros fica na frente de um bloqueio policial no centro de Kiev

A secretária de Estado adjunta americana, Victoria Nuland, reuniu-se com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich. Após o encontro, a americana disse que Washington considera possível assegurar o futuro europeu da Ucrânia. Para isso, segundo ela, as autoridades ucranianas devem garantir a segurança dos cidadãos e retomar as negociações com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Antes da reunião com o chefe de Estado ucraniano, em um gesto simbólico, Nuland visitou os manifestantes reunidos na praça da Independência, principal reduto da oposição, no centro de Kiev. Nuland também conversou com Yanukovich sobre as ações policiais desta madrugada no centro de Kiev. “São absolutamente inaceitáveis em uma sociedade e em um Estado democrático moderno”, disse.

Putin nega pressão em Kiev – 12 de dezembro

Criança segura cartaz dizendo “Ucrânia-UE” durante uma manifestação do movimento pró-europeu

O presidente da Rússia Vladimir Putin disse que Moscou não está forçando o ingresso da Ucrânia na União Aduaneira russa (UA), considerada a alternativa ao acordo de associação que a União Europeia (UE) deseja assinar com Kiev. O presidente russo esclareceu que em maio a Ucrânia já tinha expressado seu interesse de participar de alguns acordos incluídos na UA.

Por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia?

Manifestantes voltam às ruas – 29 de dezembro

Manifestantes voltam as ruas nesse domingo (29) em um novo protesto na Praça da Independência, em Kiev, na Ucrânia

Depois de um breve arrefecimento, cerca de 20.000 pessoas voltaram a protestar na Ucrânia contra a decisão do governo de arquivar acordo com a União Europeia. A série de manifestações ganhou novo fôlego com a volta de dezenas de milhares de pessoas às ruas. Os protestos recomeçaram incitados por discursos de líderes espirituais, como padres cristãos, um rabino e um líder muçulmano.

Protestos crescem de novo – 12 de janeiro

Manifestantes têm confronto com polícia em protesto na Ucrânia

Cerca de 50.000 ucranianos pró-Ocidente se concentraram no centro de Kiev em meio a uma onda de protestos desencadeada pelo espancamento do ex-ministro e líder da oposição Yuriy Lutsenko. O ex-ministro do Interior da Ucrânia foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) depois de ser espancando em novos confrontos que eclodiram entre manifestantes favoráveis a adesão do país à União Europeia e policiais armados. Sites de notícias ucranianos da oposição publicaram fotos e vídeos do ex-ministro com a cabeça enfaixada e uma grande mancha de sangue sobre o olho direito.

Aumenta a violência nos confrontos – 19 e 20 de janeiro

Manifestantes e policiais entram em confronto na madrugada desta segunda-feira (20) em Kiev (Ucrânia).

Uma série de confrontos foi registrada nos dias 19 e 20 de janeiro, após protestos em Kiev, na Ucrânia, reunirem cerca de 200.000 opositores. No dia 19, alguns manifestantes tentaram romper um cordão de segurança para chegar ao Parlamento. Eles incendiaram um dos veículos da polícia que bloqueava o acesso. As forças de segurança responderam com golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de jatos d’água. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas. No dia seguinte, as manifestações e a violência continuaram. O presidente ucraniano Viktor Yanukovich disse que os protestos nas ruas da capital Kiev ameaçam a soberania do país.

União Europeia adverte a Ucrânia – 23 de janeiro

Sede da União Europeia em Bruxelas

Pela primeira vez desde o início dos conflitos entre manifestantes e a polícia ucraniana, a cúpula da União Europeia se manifestou oficialmente sobre a crise na Ucrânia e advertiu as autoridades do país que a repressão do governo aos protestos e à liberdade de expressão pode resultar em “ações” da UE e ter “consequências” para as relações do bloco com Kiev. As declarações foram emitidas após a escalada de violência nos confrontos e as mortes de ao menos quatro manifestantes.

Cai o primeiro-ministro – 28 de janeiro

Nikolai Azarov, ex-primeiro-ministro ucraniano

O primeiro-ministro da Ucrânia, Nikolai Azarov, apresentou sua renúncia. Em carta, Azarov afirma que tomou essa decisão “para criar possibilidades adicionais para se chegar a um acordo político e social e em prol de uma solução pacífica”. A renúncia do primeiro-ministro não chega a ser uma surpresa no conturbado cenário político ucraniano. Azarov estava desgastado e sem apoio do Parlamento, que caminha cada vez mais contra o governo liderado pelo presidente Viktor Yanukovich.

‘À beira da guerra civil’ – 29 de janeiro

O ex-presidente ucraniano, Leonid Kravchuk, em discurso durante sessão extraordinária do Parlamento

A Ucrânia está “à beira de uma guerra civil” em consequência do confronto entre as autoridades e os opositores em todo o país, afirmou no Parlamento o ex-presidente do país Leonid Kravchuk, primeiro a assumir o poder após a independência da Ucrânia, e que governou entre 1991 e 1994. “Todo o mundo percebe e a Ucrânia percebe que o país está à beira da guerra civil”, declarou, antes de pedir aos deputados a adoção de “um plano de solução do conflito”.

No mesmo dia, o Parlamento ucraniano aprovou a lei de anistia para os manifestantes detidos durante os confrontos com a polícia, mas apresentou condições que levaram a oposição a se abster da votação. A condição é que os detidos serão libertados apenas quando os opositores se retirarem dos prédios que ocupam em Kiev há semanas.

Yanukovich sai de cena, de novo – 30 de janeiro

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, tirou licença médica em plena crise política que atravessa o país. Um comunicado publicado no site da Presidência informou que Yanukovich apresenta uma “doença respiratória aguda e febre alta”. Não foi a primeira vez que Yanukovich abandona seu país em crise. No início de dezembro, ele deixou para traz uma Kiev tomada por manifestantes para fazer uma viagem à China.

Acusação de tortura – 31 de janeiro

Líder opositor Vitali Klitschko visita Dmytro Bulatov em hospital em Kiev, na Ucrânia

O ativista da oposição ucraniana Dmytro Bulatov, de 35 anos, que desapareceu em 22 de janeiro, afirmou que foi sequestrado e torturado, até ser deixado numa floresta nas proximidades de Kiev. Bulatov disse que foi sequestrado, duramente espancado e pregado a uma cruz. Uma parte de sua orelha foi arrancada e seu rosto foi cortado. Ele foi mantido no escuro durante todo o tempo, o que o impede de identificar seus sequestradores. Internado em um hospital, ele foi sinsiderado um “fugitivo procurado” pela polícia ucraniana.

Oposição recebe apoio dos EUA – 01 de fevereiro

O secretário de Estado dos EUA, John Jerry

O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou o apoio dos Estados Unidos aos protestos na Ucrânia contra o presidente Viktor Yanukovich. “Nenhum lugar hoje é mais importante para a luta pela democracia, pelo futuro europeu do que a Ucrânia”, afirmou Kerry a líderes políticos, diplomáticos e militares presentes na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha. “Os Estados Unidos e a União Europeia devem estar com o povo da Ucrânia nessa luta”, disse.

O pacote de ajuda ocidental – 03 de fevereiro

A diplomata da UE, Catherine Ashton, se encontra com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovitch

Em meio aos incessantes protestos que ameaçam o governo do presidente ucraniano Viktor Yanukovitch, a União Europeia (UE) anunciou que fará uma nova investida para aproximar o país dos interesses do bloco econômico. Com a ajuda dos Estados Unidos, a UE prepara um pacote de ajuda financeira para servir como alternativa à proposta de 15 bilhões de dólares em créditos e de redução do preço do gás apresentada pela Rússia.

Governo anuncia eleições, mas volta atrás – 04 de fevereiro

Sacerdotes de diferentes religiões rezam durante confrontos com a polícia no centro de Kiev

O representante do presidente Viktor Yanukovich no Parlamento da Ucrânia descartou que as autoridades estejam pensando em convocar eleições parlamentares antecipadas. Poucas horas depois de ter garantido a um canal de televisão ucraniano que Yanukovich estaria disposto a convocar eleições no caso de não acontecer um acordo para superar a crise política,Miroshnichenko voltou atrás.

Diplomata americana xinga a União Europeia – 06 de fevereiro

Victoria Nuland, subsecretária de Estado americana para a Europa

O vazamento na internet de uma conversa entre subsecretária de Estado americana para a Europa, Victoria Nuland, e o embaixador americano em Kiev, Geoff Pyatt, provou um mal estar entre os Estados Unidos e os países da União Europeia. Victoria, que é a principal diplomata americana no ‘Velho Continente’, criticava a resposta europeia para a crise na Ucrânia quando soltou um palavrão: “F…-se a UE!”, disse. Funcionários americanos não negaram que a conversa tenha acontecido, mas se negaram a dar detalhes. A diplomata reconheceu o erro e acabou pedindo desculpas.

Mais de 70.000 vão às ruas – 09 de fevereiro

Manifestantes ucranianos marcham pelas ruas da capital Kiev

A oposição ucraniana voltou a mobilizar uma grande manifestação para protestar contra o presidente Viktor Yanukovich. Mais de 70.000 ativistas foram às ruas para protestar contra o alinhamento do país às políticas econômicas da Rússia. “Não temos a intenção de nos render. Iremos mais longe”, proclamou em alto-falantes da Praça de Independência o militante Dimytro Bulatov, cuja foto com o rosto desfigurado pelas torturas rodou o mundo. O opositor se dirigiu aos manifestantes por telefone a partir da Lituânia, onde está hospitalizado.

Presos são libertados pelo governo – 14 de fevereiro

Ativistas assistem à remoção parcial de barricadas montadas nas ruas de Kiev

Com base na lei de anistia assinada pelo presidente Viktor Yanukovich, o governo ucranianolibertou todos os 243 manifestantes detidos durante os protestos realizados desde novembro. As acusações contra os ativistas, no entanto, só seriam retiradas após os opositores desocuparem os prédios públicos que foram tomados durante as manifestações. As autoridades também deverão monitorar boa parte dos detidos, uma vez que alguns seguirão cumprindo pena em prisão domiciliar.

Manifestantes desocupam prefeitura de Kiev – 16 de fevereiro

Manifestante enrolado em uma bandeira da Ucrânia caminha pelas barricadas montadas por opositores

Após o governo ucraniano libertar todos os manifestantes detidos, os líderes opositores concordaram com a desocupação da prefeitura de Kiev, a capital e epicentro dos protestos no país. Os ativistas haviam tomado a prefeitura em 1º de dezembro, cerca de uma semana depois da eclosão de grandes passeatas contra a decisão do presidente Viktor Yanukovych de abandonar as negociações com a União Europeia.

Batalha campal – 18 de fevereiro

Confrontos entre manifestantes e policiais transformam a capital Kiev em um campo de guerra. Os conflitos tiveram início quando as forças do governo romperam as barricadas perto do estádio do Dynamo de Kiev e se dirigiram para os limites da ocupada Praça da Independência, horas depois de Moscou destinar 2 bilhões de dólares à Ucrânia, recursos que a Rússia estava segurando para pressionar o governo ucraniano a tomar uma medida contra os manifestantes. Depois de a Europa anunciar que estudava aprovar sanções econômicas contra o país, o governo do presidente Viktor Yanukovich anunciou que havia chegado a uma trégua com a oposição.

Trégua rompida – 20 de fevereiro

A trégua anunciada por Yanukovich, que já se anunciava frágil, foi rompida de maneira brutal. Depois que os deputados da oposição fracassaram em uma tentativa de reduzir os poderes do presidente, uma multidão procurou se aproximar do Parlamento e foi rechaçada violentamente pela polícia. Manifestantes com armaduras improvisadas revidaram com bastões de madeira, pedras, tijolos, coquetéis molotov e até armas de fogo. Labaredas de fogo surgiam por todo canto. A polícia passou a disparar com balas de verdade contra os que avançavam. Dos dois lados falou-se em atiradores do campo oposto buscando uma mira melhor em cima dos prédios. Aos poucos, dezenas de cadáveres começaram a ser emparelhados nas calçadas e nos lobbies dos hotéis. O número de vítimas chegou a quase cem.

Acordo é assinado – 21 de fevereiro

Um dia depois da selvageria, uma reunião mediada por chanceleres estrangeiros definiu aassinatura de um acordo entre governo e lideranças opositoras que previa, entre outros pontos, a restauração da Constituição de 2004, que limitava o poder do presidente, e a formação de um governo de unidade nacional, além da antecipação das eleições presidenciais. Já sem o apoio da maioria no Parlamento, Yanukovich viu a aprovação de medidas que viabilizaram a libertação de sua inimiga, a ex-premiê Yulia Tymoshenko.

Yanukovich é deposto – 22 de fevereiro

Manifestantes protegem a entrada do Parlamento da Ucrânia

No sábado, Vitaly Klitschko, ex-campeão mundial de boxe, líder do partido Udar e membro do Parlamento ucraniano, anunciou que o presidente havia deixado a Ucrânia e que seu paradeiro era desconhecido. Por “abandono de funções”, o Parlamento ucraniano aprovou a deposição de Viktor Yanukovich.

Presidente interino – 23 de fevereiro

Sem Viktor Yanukovich no poder, o opositor Oleksander Turchinov,  braço-direito de Yulia Timoshenko, foi designado para assumir o posto de presidente interino. Em seu discurso de posse, disse que integrar a Ucrânia à União Europeia seria uma de suas prioridades. As eleições presidenciais foram agendadas para 25 de maio.

Crédito: Veja

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