PF investiga contrato de R$ 443,8 mi entre Petrobras e empresa ligada a Youssef

Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um esquema de lavagem de dinheiro, apura a legitimidade de um contrato firmado entre a Petrobras e a empresa Ecoglobal Ambiental Comércio e Serviços no valor de R$ 443, 8 milhões. A suspeita é de que a contratação tenha sido influenciada pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, presos desde o dia 17 de março. A segunda etapa da operação, deflagrada nesta sexta-feira (11), busca esclarecer a relação entre a estatal e a Ecoglobal. Uma pessoa foi presa e documentos foram apreendidos na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.

A autorização para a operação nesta sexta, dada em decisão pela 13º Vara Criminal da Justiça Federal no Paraná, mostra que, na época em que o contrato foi firmado, 75% das cotas das empresas Ecoglobal estariam sendo negociadas por R$ 18 milhões para o grupo empresarial Quality Holding, do qual participa Youssef, e da Sunset Global Participações, da qual Costa participa, e ainda pela Tino Real Participações. “O próprio negócio da cessão de cotas é condicionado à efetivação do contrato da Ecoglobal com a Petrobras. A esse respeito, consta nos autos carta-proposta confidencial subscrita pelos negociantes e datada de 18/09/2013”, cita trecho da decisão. “Os fatos sugerem atuação dos compradores das empresas Ecoglobal na obtenção do contrato junto à Petrobras, ainda não esclarecidos os meios, com concomitante aquisição da referida empresa, sugerindo que não poderiam estar antes no quadro social, o que gera fundada suspeita da licitude”, cita a decisão da 13º Vara Criminal da Justiça Federal no Paraná.

Outro lado

A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato com os advogados de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa, Antonio Augusto Figueiredo BastoFernando Fernandes respectivamente. Mas não foi possível contato com eles nem pelo celular nem através dos escritórios de advocacia.

A Petrobras divulgou uma nota sobre o caso. Diz a nota: “A Petrobras recebeu hoje (sexta) e cumpriu imediatamente Ordem Judicial para entregar documentação referente a uma específica contratação. A Ordem Judicial foi expedida pela Seção Judiciária do Estado do Paraná. Um delegado e três agentes da Polícia Federal foram recebidos pela Presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, em uma sala de reunião. Imediatamente, a presidente acionou a Gerência Jurídica da Companhia para tomar todas as providências com vistas ao cumprimento da Ordem Judicial.”

Dono da Ecoglobal nega operações com doleiro

O dono da Ecoglobal Ambiental Serviços e Comércio, Vladimir Magalhães da Silveira, negou que tenha vinculação contratual ou pessoal com o doleiro Alberto Youssef e com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa. “Nunca tive contato com eles, não os conheço”, afirmou.

Segundo Silveira, em outubro do ano passado ele recebeu uma proposta de Pedro Storti e Paulo Juris por 80% da Ecoglobal, que presta serviços, desde 2006, à petroleira. A oferta foi feita em nome de Paulo Roberto da Cosa e de Alberto Youssef, que demonstraram interesse em comprar quase a totalidade da empresa pelo número de contratos que a Ecoglobal conseguiu com a Petrobras, principalmente pelo último, de R$ 443,8 milhões.

Pelo negócio, Silveira ganharia em torno de R$ 20 milhões, mas a compra estava condicionada à efetivação do contrato da Ecoglobal com a Petrobras. A filha de Silveira disse que a Polícia Federal encontrou e-mail no qual há o relato da proposta e que, por isso ele foi intimado a prestar esclarecimentos nesta sexta-feira, quando a PF deflagrou a segunda etapa da Operação Lava-Jato. Ele afirma que foi questionando por 30 minutos pelos policiais.

O dono da Ecoglobal afirmou que recusou a proposta do ex-diretor da Petrobras quando soube que o doleiro estaria por trás da oferta. O doleiro e o ex-diretor da Petrobras eram sócios em alguns negócios. “Não faço negócios com esse tipo de gente”, afirmou. Segundo ele, houve ainda a intimidação de que os dois teriam “braço longo” na empresa estatal, o que poderia prejudicá-lo. De acordo com Silveira, o atual contrato da Ecoglobal com a Petrobras gira em torno de R$ 450 milhões e se estenderá por quatro anos, a começar em julho deste ano. Ele afirma que o contrato foi objeto de licitação e que a empresa dele foi a vencedora entre dez concorrentes que receberam convite.

Pedido de transferência deve ser julgado a partir da próxima semana

pedido de transferência dos 14 presos envolvidos na Operação Lava-Jato detidos em Curitiba deve ser julgado a partir do final da próxima semana, informou nesta sexta-feira (11) aJustiça Federal do Paraná. A solicitação foi feita nesta quinta pela Polícia Federal, que pede que os 14 detentos – entre eles o doleiro Alberto Youssefe o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa – sejam levados para presídios federais e estaduais.

Conforme a Justiça Federal, antes que o pedido seja analisado o Ministério Público e os advogados dos acusados terão um prazo de cinco dias para se manifestarem sobre a transferência. O prazo começa a correr a partir da próxima segunda-feira (14).

Defesa de Youssef acusa PF de instalar escuta ilegal na cela

O advogado de defesa de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto, acusa a Polícia Federal (PF) de ter gravado clandestinamente conversas do doleiro na cela na qual está preso, em Curitiba

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PF nega ter feito escuta ilegal na cela onde está preso doleiro

Polícia Federal negou nesta sexta-feira (11) ter feito escuta ilegal na cela em que está preso o doleiro Alberto Youssef na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Em nota, a PF informou que, durante revista de rotina às celas na quinta-feira, foi encontrado um “equipamento eletrônico estranho àquele ambiente”. Segundo a PF, o aparelho foi apreendido e passará por perícia técnica para “identificar a natureza da peça”. Nesta quinta, os advogados do doleiro solicitaram à Justiça Federal investigação sobre a origem de suposta escuta clandestina.

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PF é autônoma para investigar a estatal, diz ministro da Justiça

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou nesta sexta-feira (11) que a Polícia Federal é “autônoma” para investigar suspeitas de corrupção na Petrobras ou de uma eventual ligação com o doleiro Alberto Yousseff, preso no mês passado na operação Lava Jato, da Polícia Federal.

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Rosa Weber dá 48 horas para Renan se manifestar sobre CPI da Petrobras

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas, a partir da notificação, para que o presidente do Senado,Renan Calheiros, apresente manifestação sobre os mandados de segurança impetrados pela oposição e por parlamentares governistas sobre a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Após receber as informações, a ministra vai decidir os pedidos de liminares. “Considerada a relevância do tema em debate, assino o prazo de 48 horas à autoridade impetrada para prestar, querendo, as informações que entender pertinentes”, decidiu a ministra.

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Para ressaltar a suspeita de ilicitude do contrato, o documento da 13º Vara Criminal apontou ainda o possível envolvimento do doleiro em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, assim como o suposto envolvimento do ex-diretor da Petrobras em crime de corrupção ativa. O juízo cita ainda a contradição no valor estabelecido para a venda das ações da Ecoglobal e o lucro previsto no contrato firmado com a Petrobras. “(…) causa estranheza que empresa que logre obter contrato de 443 milhões de reais seja negociada na mesma época, 75% das cotas, por 18 milhões”.

Na Operação desta sexta, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de busca, e quatro mandados de condução coercitiva. Em São Paulo, um suspeito foi preso temporariamente por cinco dias, sendo que a prisão pode ser renovada ou transformada em prisão preventiva. A PF não divulgou o motivo da prisão do detido. Uma segunda pessoa procurada não foi localizada. O detido, segundo o balanço da Polícia Federal, vai permanecer em São Paulo.

Ao longo do dia também foram arrecadados diversos documentos nas cidades onde foram realizados os trabalhos: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Macaé e Niterói. Um montante superior a R$ 70 mil foi apreendido em uma casa em Campinas. Parte do material foi entregue no início desta noite à Superintendência Regional da PF no Paraná, sendo que a outra parte deve ser trazida para a superintendência na tarde de sábado (12).

Sobre as buscas na Petrobras, a PF informou que a Justiça Federal no Paraná expediu mandados de intimação prévia para que a empresa apresentasse documentos, mas como houve colaboração, não foi necessário o cumprimento de mandados. O órgão disse também que a presidência da empresa colaborou com os trabalhos da Operação, apresentando os documentos solicitados.

A Operação Lava-Jato investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 10 bilhões com câmbio ilegal, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, exploração e comércio ilegal de diamantes, corrupção de agentes públicos e outros crimes. A operação foi chamada Lava-Jato por causa do uso de postos de combustíveis e de uma rede de lavanderias para a lavagem de dinheiro.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costaestá preso desde o mês passado pela Operação, acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Yousseff, que lavaria dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou doleiros. Um dos desdobramentos da operação foi a relação entre o deputado paranaense André Vargas (PT) e Youssef. Existe a suspeita de que o parlamentar trabalhava para beneficiar o doleiro e essa relação entre eles deve ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal, já que Vargas tem foro privilegiado por ser deputado federal. André Vargas nega que tenha cometido qualquer ato ilícito.

Petrobras

Agentes da Polícia Federal (PF) chegaram à sede da Petrobras antes das 10 horas desta sexta, de acordo com informações de um segurança da entrada do estacionamento do prédio, na Avenida Chile, no centro do Rio. De acordo com o segurança da sede da Petrobras, os policiais entraram a pé, pelo estacionamento, e foram recebidos por funcionários do setor jurídico da estatal, que desceram para receber os agentes da PF. Perguntado se os policiais foram cumprir mandados de busca, o segurança respondeu: “Não eram mandados, mas intimações”.

A estatal informou em nota que não houve qualquer desembolso em relação ao contrato de R$ 444 milhões com a Ecoglobal. A Petrobras diz que o contrato em questão foi assinado em 30 de julho de 2013 e “precedido de regular procedimento licitatório”, firmado para fornecimento de equipamentos, pela Ecoglobal Overseas LLC, e prestação de serviços de Avaliação de Formações, pela Ecoglobal Ambiental Comércio e Serviços Ltda.

O prazo previsto de 4 anos, a contar de 24 de julho de 2014, “quando há previsão de início dos serviços”. “A partir desta data o contrato estará disponível no Portal da Transparência, pois até o momento não houve qualquer desembolso por parte da companhia no referido contrato”.

A Petrobras esclareceu ainda que, em virtude de haver fornecimento de equipamentos, que necessitam de prazo para fabricação, “é dado um prazo de mobilização para o início dos serviços, que neste caso é de 1 ano, sendo prática comum para contratos similares”. “Não está sendo negociado aditivo de valor para o contrato”, disse a empresa. “A Petrobras informa, ainda, que vem colaborando com as investigações da Polícia Federal”.

Prisões chegam a 25

Com uma prisão confirmada, o total de detençõesdesde o início da operação, em março, passa a 25. Nem o perfil do detido nem a razão da prisão desta sexta foram informados pela corporação.

Operação Lava-Jato

A operação Lava-Jato foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 17 de março em sete estados investigadas por crimes contra o sistema financeiro. Entre os presos estava o doleiro Alberto Youssef, de Londrina, que teve envolvimento no desvio de pelo menos US$ 30 bilhões do banco Banestado na década de 1990.

Escutas telefônicas feitas pela PF indicaram ainda o envolvimento do ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), que é investigado pelo uso de um jatinho particular do doleiro. Também há suspeita de envolvimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que foi preso no dia 20 de março após tentar destruir documentos.

Crédito: Gazeta do Povo

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