Primeiro de Maio

“VELHOS TEMPOS”

“RECORDAR É VIVER”

PRIMEIRO DE MAIO

Zé Domingos

Primeiro de Maio – Dia Internacional do Trabalho. Prefiro “Dia Internacional do Trabalhador, da Trabalhadora” e é a ele e a ela os incansáveis batalhadores de todas as horas que devemos prestar honrarias nesta data. Quantos trabalhadores estão hoje desempregados, com falta de oportunidades e de horizontes? São muitos por este mundo afora. Vamos clamar aos céus, orar para que estes homens e mulheres encontrem a dignidade e a oportunidade de um novo emprego e possam ser felizes, respeitados. A nossa saudação aos trabalhadores em geral.

Dito isto destacamos que dormimos pouco porque são muitos os afazeres e as andanças. Às vezes deitamos tarde da noite e de madrugada nos acordamos e daí não dormimos porque ficamos com medo de perder o horário de seguir para a rádio. Assim ficamos pensando no que passamos nas ultimas horas e do que iremos fazer nas próximas, bem como lembrando passagens da vida.

Em determinada madrugada acordamos por volta das três e meia e nada de conciliar o sono novamente. Eis que me vem a mente recordações do dia primeiro de maio de meus tempos de adolescência e juventude. Os primeiros de maio daqueles tempos eram diferentes em Curitiba. Eram dias festivos, cheios de solenidades e confraternizações.

O futebol sempre foi um catalisador de encontros e no “Dia do Trabalhador” os campos que eram inúmeros na cidade, por isto mesmo tínhamos um elevado número de times no futebol amador se tornavam pontos de encontro com a realização dos torneios com a participação de várias equipes. Era cobrada uma inscrição e os torneios que começavam cedo iam até o final da tarde. Os mais concorridos tinham os jogos decisivos programados para outras datas.

As disputas eram em jogos eliminatórios normalmente com dez ou quinze minutos para cada lado, como se dizia naqueles tempos. Caso terminasse empatado, a decisão era em pênaltis, inicialmente com três cobranças para cada equipe, depois foi aumentado para cinco. As cobranças eram uma atração e nos momentos das mesmas todos corriam em direção a trave onde as mesmas seriam executadas.

Com treze anos trabalhávamos no Serviço de Alto Falante Paraná e fazíamos a abertura das transmissões mais ou menos assim –

“Bom dia Senhoras e Senhores – Com esta característica musical (o dobrado Quarto Centenário, de autoria de Mário Zan, vencedor do concurso de música em homenagem aos quatrocentos anos de São Paulo e por ele tocado em sua famosa sanfona iniciamos as transmissões do Serviço de Alto Falante Paraná, uma organização Pedro Ravanello, neste dia primeiro de maio – Dia do Trabalhador, diretamente do campo do Flamengo, no Bom Retiro, onde vai acontecer um sensacional festival esportivo com um torneio organizado pelo radialista Dino Brassac, da Rádio Marumbi, com jogos pela manhã e a tarde.

Haverá almoço com churrasco, maionese, saladas de tomate e cebola, aquela cerveja bem gelada, refrigerantes, bolos, doces e salgados, roda da fortuna, leilão, bingo, o coelhinho da sorte, correio sentimental e dedicatórias musicais. Temos uma ampla discoteca ao seu dispor para que homenageie sua querida, seu querido. Entre os sucessos musicais Boneca Cobiçada, com Palmeira e Bia”.

 Depois da abertura anunciei como primeira música justamente o então grande sucesso ‘Boneca Cobiçada”. Os altos falantes eram uma atração especial nas festas daqueles tempos e as dedicatórias corriam solto e os locutores gostavam porque havia a comissão e com isto um ganho extra.

Na lembrança daqueles tempos citamos que “Boneca Cobiçada” era tocada insistentemente nos programas de rádio que alguns cinqüentões, sessentões, setentões, oitentões lembram com saudades, muitas saudades. Essa música marcou muita gente, especialmente aqueles que gostavam de dar umas esticadas pela noite, visitando as chamadas zonas como Alice de Azevedo, Frida, Gaúcha, nas Mercês, Castelinho, no Ahú, Uda, no Guabirotuba, Meia-Meia, Darling Drinks, no Uberaba Foco Vermelho, no Portão, Juvelina, na Vila Guairá, Casa de Campo, Ávila, Embrulha a Noite e outras na Vila Parolim, Bambuzinho, na Vila Izabel, Aviãozinho, no Alto da Quinze, além das famosas boates Marrocos, na rua Marechal Deodoro, Moulin Rouge, na João Negrão, La Vie en Rose, na Visconde de Nácar, Jane um, na Carlos de Carvalho e Jane dois, na Ermelino de Leão com Cruz Machado, Edifício São Paulo, Tropical, no Passeio Público e outras.

Quase todas com música ao vivo, com excelentes conjuntos e até mesmo orquestras. A noite curitibana era das mais movimentadas e você poderia ir de um lado a outra da cidade, ir de casa em casa, sem qualquer problema. Hoje sair a noite para uma esticada é um desafio que pode custar caro. Bons tempos que não voltam mais.

Voltando ao primeiro de maio e aos torneios, estes eram um verdadeiro sucesso. O público dos maiores era composto por crianças, senhoras, senhores, jovens, as famílias participavam. As dedicatórias muitas vezes formavam namoros que na seqüência resultavam casamento, era mesmo um tempo romântico e tive o prazer em viver isto intensamente.

Sobre Dino Brassac, o organizador de muitos dos torneios, era um radialista popular e muito ligado aos bairros e diante de sua popularidade foi vereador em Curitiba. Pertencia a Rádio Marumbi, que era chamada de “a emissora das iniciativas do Paraná” e “a emissora dos esportes do Paraná”.

A Marumbi transmitia jogos de diferentes modalidades esportivas e tinha excelentes radialistas quase todos em inicio de carreira como o próprio Dino, mais Dácio Leonel de Quadros, que depois foi deputado estadual, ótimo narrador e tive a honra em ser deputado ao seu lado, a honra por ter sido ele quando menino como um dos meus ídolos, Ele é de Castro e foi lá que o conheci quando garoto vendedor de picolés, tocando aquela gaitinha, no campo do Caramuru.

Willy Gonzer, que se tornou um dos melhores locutores esportivos do Brasil e até hoje continua no rádio, atuando há vários anos em Belo Horizonte, Rafael Iatauro, Carlos Alberto Moro, vereador e candidato a prefeito de Curitiba, comentarista esportivo, Raul Mazza do Nascimento, Ernesto Costa de Costa, Antonio Leandro, Osmar de Queiroz, Oldemar Kramer, Jota Padilha, Amauri Piazetta e outros.

Depois a “Marumba querida” como alguns passaram a chamá-la teve Rinoldo Cunha, Curi Saliba, Nelson Soares, Durval Leal de Souza, Breno Simon, Sadi, que joga pelo juvenil do Coritiba, pelo Bacacheri, de nosso futebol amador, cujo sobrenome mais uma vez não lembro, embora tenha sido informado quando de outra matéria em que abordei a Marumbi e outros. A Marumbi marcou época no nosso rádio esportivo.

Citamos o campo do Flamengo, no Bom Retiro, este campo localizava-se onde hoje está uma loja do Supermercado Condor e o CELEPAR. Era um campo sem gramado, mas muito usado. Foi campo do Bom Retiro, do Flamengo, do Palestra Itália e outros clubes. O Bom Retiro disputava a terceira divisão, mas desapareceu logo. O Flamengo, durante anos disputou campeonatos da primeira divisão e tinha jogadores muito bons como os irmãos Pina (Miranda) e Ferramenta, que foram para o Atlético Paranaense, Ferramenta depois jogou no Água Verde, o goleiro Biroca, Geada, Razera, Gogô, Moro, que jogou pelo Coritiba, Aloísio, Sinistro, Ivaico, Odenir Silveira, goleiro e também presidente do clube, Odenir, que foi um dos pioneiros a cobrir o futebol amador em nossa imprensa e outros. Isto nos anos 50 e 60.

Mais tarde em 65 o time do Bom Retiro foi campeão da Segunda Divisão de Amadores com os goleiros Hamilton e Luiz e mais Toco, Grilo, Valdo Batata (este chutava muito forte), Hélio, Esquilo, Rosbel, um loirinho bom de bola, Mafra, hoje funcionário aposentado da Prefeitura de Curitiba, Pedrinho, Airton, Joãozinho, Loro, Mililique e Darlan. Alguns amigos pessoas com Valdo Batata, que durante algum tempo trabalhou como taxista, Hélio, Mafra, com quem convivemos na Prefeitura, Rosbel, dono de uma panificadora perto de casa e outros.

Em primeiro de maio dentre os muitos torneios acontecia um no campo do Grêmio Esportivo Centenário, na Vila Centenário, onde compareciam equipes de toda a cidade, em face de excelente premiação. Era um dos mais concorridos e foi comandado durante vários anos pelo Jair Adam. Do campo do Centenário, que desapareceu para dar local a um conjunto habitacional surgiram excelentes jogadores entre eles Zé Antonio, que atuou pelo Colorado, Londrina e outras equipes, Tadeu Mexicano, Atlético Paranaense, conhecido por Tadeu Mexicano, por  ter atuado vários anos no México, Castorzinho, Coritiba e outras equipes e outros.

Com o passar dos anos, a cidade aumentando, o crescimento populacional tomando conta e com isto os campos que eram inúmeros foram desaparecendo e também tradições como os torneios igualmente desaparecendo, mas eles não podem desaparecer de nossas memórias e por isto é bom, muito bom recordar, pois “Recordar é Viver”.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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