Conheça alguns tipos de terapia e veja qual é ideal para você

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“De perto, ninguém é normal”, cantarolava o jovem Caetano Veloso no auge do tropicalismo baiano. De fato, o ideal que há muito circula por aí, de que uma pessoa normal seria aquela isenta de conflitos, equilibrada e com bons relacionamentos — o famoso vizinho, aquele que sempre tem a grama mais verde, sabe? — passa longe da realidade. Mas isso não quer dizer que sejamos anormais, muito menos loucos. Conflitos, medos e inseguranças fazem parte do ser humano tanto quanto as dores de cabeça. Os dados da pesquisa Bem-Estar, uma iniciativa da Unimed Porto Alegre que mede o bem-estar dos portoalegrenses, deixam claro o quanto essas angústias são comuns: a maioria dos entrevistados apontou o bem-estar psicológico e a avaliação da vida como os fatores mais importantes para alcançar a qualidade de vida.

Não à toa, desde o século 19 especialistas em diferentes áreas buscam entender a origem destas angústias e a melhor forma de aliviá-las. Seja para tratar doenças mais graves, como a depressão severa ou a esquizofrenia, ou apenas para ajudar a se conhecer melhor, as diferentes correntes de psicoterapia promovem o que muitos chamam de “cura pela palavra”. Saber qual o melhor momento para conversar com um terapeuta e qual corrente de psicoterapia escolher são os primeiros passos para iniciar uma intrigante e surpreendente viagem ao interior de si mesmo.

Relacionamentos, a base de tudo

Você namora com uma pessoa cheia de manias, explosiva e que, em muitas situações, o deixa infeliz. Frequentemente, comenta com amigos, familiares e com o próprio parceiro que ele (ou ela) precisa fazer terapia. Mas, você já parou para pensar por que mantém um relacionamento assim? Será que não é você que também precisa de tratamento? Reconhecer os próprios conflitos é o primeiro passo para quem buscar se conhecer melhor e lidar de forma mais madura com a vida.

Conforme a psiquiatra e psicanalista Anette Blaya Luz, presidente da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA), o momento de buscar uma terapia deve partir de uma decisão pessoal, quando o indivíduo se sente motivado a tentar identificar as causas de suas angústias e quer encontrar soluções para elas.

— Ninguém deve fazer terapia porque o “outro” acha que é bom ou que é preciso. Conflitos todos nós temos, é parte da nossa condição humana. A hora de buscar ajuda é quando os momentos de dor emocional sobrepujam os momentos de bem-estar e de alegria por estar vivo — comenta a especialista.

Determinadas fases da vida que geram sofrimento, como separações amorosas, perda de pessoas queridas e insatisfações com o corpo ou profissionais são motivações comuns que levam as pessoas a buscarem esse tipo de tratamento. Mas não é preciso estar doente ou deprimido para consultar um terapeuta, alerta Nélio Tombini, psiquiatra do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre:

— Tudo na vida depende dos relacionamentos, da forma como nos relacionamos com os outros e conosco mesmos. Além de tratar os sofrimentos e até doenças, as terapias também tem a função de melhorar a capacidade de se relacionar com a vida.

Persista, nem sempre se acerta de primeira

Você finalmente decide marcar uma consulta com um terapeuta. Pela recomendação de amigos e parentes, escolhe um profissional com um excelente currículo e chega à consulta. Durante os 50 minutos do encontro, você pode sentir-se desconfortável, constrangido em compartilhar detalhes de sua vida, e sair da sessão achando que foi tudo um grande erro.

Situações como essa são frequentes, e fazem com que muitas pessoas abandonem o tratamento antes mesmo de começar. É preciso ter em mente que o resultado de uma terapia depende muito do tipo de metodologia e da relação que se estabelece entre o paciente e o terapeuta. E nem sempre se acerta de primeira.

A recomendação é, antes de começar qualquer tipo de tratamento, marcar uma avaliação com o profissional, que pode ser um psicólogo, psiquiatra ou psicanalista. Uma, duas ou três sessões geralmente já são suficientes para identificar os problemas e a melhor forma de abordá-los. Muitas vezes é indicado misturar intervenções das diferentes técnicas terapêuticas para tratar diferentes aspectos do paciente.

As terapias

Uma delas pode ser a sua

Ainda que com diferentes metodologias, grande parte das psicoterapias são baseadas em autoconhecimento, ou seja, em entender melhor a maneira de se relacionar consigo e com o mundo e, a partir disso, poder aliviar angústias e modificar comportamentos que estejam causando sofrimento. Conheça algumas correntes de psicoterapia:

Psicanálise – para mergulhar nas memórias e na sua relação com o presente

Para o neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939), o fundador desse ramo terapêutico, nossos sentimentos e ações são guiados por aquilo que fica registrado em nosso inconsciente, onde são armazenadas as experiências emocionais desde o nascimento. A proposta da psicanálise é que o paciente fale espontaneamente por meio de uma livre associação de ideias, ou seja, o que ocorrer na mente no momento da sessão. Conforme o paciente fala, o psicanalista interpreta não somente o que é dito concretamente, mas a relação entre os assuntos apresentados e a conexão estabelecida com o analista. É indicada para quem deseja identificar a origem de seus medos e angústias, para se conhecer melhor e para quem quer amadurecer emocionalmente. As sessões acontecem com a frequência de 3 a 4 vezes por semana, em geral com uso do divã, mas não obrigatoriamente. Cada sessão dura de 45 a 50 minutos.

Psicoterapia analítica – para viajar pelo inconsciente

Derivada da Psicanálise, a Psicoterapia Analítica também é indicada para ajudar o paciente a compreender melhor os seus sentimentos e comportamentos e a sua relação com as experiências acumuladas ao longo da vida, porém de forma menos aprofundada. As sessões tem normalmente a frequência de um ou dois encontros por semana, quase sempre sem o uso do divã — paciente e terapeuta ficam sentados frente a frente — e com duração de 45 a 50 minutos.

Terapia breve – para resolver conflitos imediatos

Esta terapia se baseia em tratar brevemente um conflito específico que esteja acontecendo com o paciente naquele período, ainda que o terapeuta identifique muitos outros conflitos e angústias durante as sessões. Ela busca resolver problemas pontuais, como sintomas de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros. Nas consultas, paciente e profissional sentam frente à frente, e as sessões tem duração média de 45 minutos. O tratamento dura cerca de 12 meses.

Terapia de Apoio – para mudanças pontuais

Como o nome sugere, este tipo de tratamento busca apoiar o paciente, reforçando seus aspectos positivos, e não tem como objetivo estudar profundamente conflitos inconscientes numa tentativa de mudanças profundas. Ele se orienta para mudanças pontuais de comportamento e alívio de sintomas, e é indicada para quem não tem estrutura emocional para enfrentar intervenções mais densas, explica Paulo Zimmermann, do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da PUCRS. As sessões tem duração média de 45 minutos. O tempo de tratamento é variável, podendo durar muitos anos ou até a vida toda do paciente.

Psicoterapia Cognitivo-Comportamental – para mudar comportamentos

Desenvolvida nos anos 1960 pelo psicólogo americano Aaron Beck, a terapia explora áreas emocionais e sociais que afetam o cotidiano do paciente. É um tratamento breve e focal, normalmente indicado para tratar distúrbios como fobias, transtorno compulsivo-obsessivo (TOC), dependência química, entre outros. É um tipo de psicoterapia mais ativa que envolve um conjunto de técnicas e estratégias com a finalidade de mudança de padrões de pensamento e de comportamento. As sessões tem duração de 40 a 50 minutos e o tratamento dura poucos meses.

Crédito: Diário Catarinense

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