Curitiba smart city? Para os entendidos, sim, isso é possível

Curitiba tem potencial para se tornar uma smart city (ou cidade inteligente), mas ainda está longe disso – assim como a maioria das cidades brasileiras. Essa é a conclusão a que chegaram especialistas que abordaram o tema durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI) 2014, evento que está sendo realizado na sede da Universidade Positivo, no bairro Campo Comprido, na capital paranaense.

Smart city é um conceito que define cidades com boa performance em temas como economia, mobilidade, governança, ambiente, vida e pessoas. “Curitiba é a capital brasileira mais propícia para essa transformação em smart city pelo histórico, infraestrutura e quantidade de habitantes. Promover uma transformação em São Paulo, por exemplo, seria muito difícil”, argumenta André Telles, um dos organizadores do ICities, evento que ocorre paralelo à CICI 2014.

Paulo Whitaker/Reuters

Paulo Whitaker/Reuters /

Cidade da Copa em Pernambuco nasceu sob o conceito

A cidade pernambucana São Lourenço da Mata, onde foi construída a Arena Pernambuco (foto), também tem um plano para se tornar uma smart city. O projeto prevê um sistema integrado de trânsito, com alteração dos sentidos das vias de acordo com a demanda, 100% de cobertura com cabos de fibra ótica e faixas exclusivas para ônibus e ciclistas. Entretanto, pelo que se viu no ano passado durante a realização da Copa das Confederações, a administração local ainda terá muito trabalho. A sede foi a que mais sofreu com superlotação e atrasos no sistema de ônibus e na sua conexão com o metrô. A seleção uruguaia, inclusive, chegou a enfrentar dificuldades no translado de pouco mais de 20 quilômetros entre o Centro de Treinamento, em Recife, e o estádio.

21 ideias

Conheça alguns dos projetos inscritos no Festival de Ideias da CICI 2014. Durante o evento, os expositores discutem soluções para problemas da cidade e propõem melhorias.

Empreendedorismo

Há oito meses Dan Querolo fundou a startup Sou Artista com o objetivo de transformar artistas em empreendedores. A plataforma digital oferece gratuitamente a possibilidade para profissionais de todo o país criarem um portfólio on-line e se candidatarem a oportunidades de trabalho. Além disso, o site oferece informações sobre economia criativa e mercado cultural.

Querolo conta que a ideia surgiu pelo envolvimento com o meio artístico. “Minha família era de circo, então vivi com artistas a vida toda”, explica. Hoje a plataforma conta com 800 artistas cadastrados em 70 cidades brasileiras. Nos próximos meses, deve ser lançado um curso online para formar artistas empreendedores. O site da startup é www.souartista.pro.

Energia

O projeto do engenheiro elétrico Daniel Rocha é um sistema de geração autônoma de energia, que pode auxiliar na alimentação de sinais de trânsito e iluminação pública, por exemplo. A ideia consiste em um pêndulo com uma parte elétrica e eletromecânica que utiliza a gravidade como momento de criação de energia. A energia criada é usada para completar o movimento e fazer com que o objeto dê uma volta de 360°. Sozinho, ele gera energia de forma autônoma, mas se usado nas redes de energia elétrica comuns, pode aumentar a potência da energia transmitida. “Com isso, o insumo real da rede pode ser menor, gerando economia de energia”, explica.

Mobilidade

O arquiteto Guilherme Dias de Macedo apresenta no festival um projeto para readequação das estações-tubo de Curitiba. De acordo com o arquiteto, as estações atuais têm pelo menos 45 pontos que precisam ser melhorados. O objetivo das readequações é melhorar o fluxo de pessoas e a qualidade térmica dos espaços. Entre as melhorias sugeridas estão aumentar as portas de embarque de uma para duas nos tubos convencionais, instalar cabine fechada e um banheiro para os cobradores etc.

O Inteli – Inteligência e Inovação, instituto sediado em Portugal, agrega 41 cidades portuguesas em torno desse conceito. Vinte delas já constam em um ranking que mede três dimensões principais: inovação, sustentabilidade e inclusão. Para Catarina Selada, a representante do instituto no evento brasileiro, a primeira e principal medida a ser adotada por uma cidade que quer se tornar um smart city é uma mudança no modelo de governança. “A governança precisa ser horizontal e aberta na interação com o cidadão. Sem isso, é difícil de alcançar os demais atributos”, explica a especialista.

Audiências

O mais próximo que temos dessa governança horizontal no Brasil são as audiências públicas e a obrigatoriedade de publicação de dados por órgãos públicos – ações previstas por lei, mas que muitas vezes são dribladas seja com uma comunicação tortuosa ou com barreiras impostas para o acesso às informações.

Um exemplo de smart city é Santander, na Espanha, onde há sensores espalhados por toda a cidade que informam sobre a qualidade do ar, condição do trânsito e até onde há vagas públicas de estacionamento, para evitar que a pessoa trafegue além de sua necessidade com o carro particular. Catarina é uma entusiasta da cidade, mas para ela a tecnologia não pode ser um fim em si. “Entendemos que uma smart city deva aumentar a qualidade de vida das pessoas. Mas há diversos modelos, desde aquelas mais focadas em tecnologia até aquelas voltadas ao aspecto social”.

De acordo com André Telles, Buzios atualmente é a cidade brasileira em que há mais iniciativas voltadas ao conceito de smart city. O município carioca, entretanto, tem apenas apenas 27,5 mil habitantes, o que na teoria facilita a implementação desse modelo. “Eles trabalham bem essa questão, principalmente do ponto de vista ecológico. Mas aqui no Brasil ainda são poucas as cidades que conseguiram entender o conceito”, argumenta.

Protagonismo social é fundamental para urbes sustentáveis

Carolina Pompeo, especial para a Gazeta do Povo

Mobilidade urbana e bairros ecossustentáveis foram os temas de discussão na manhã de ontem na CICI 2014. O austríaco Rudolf Giffinger, professor responsável pelo Centro de Pesquisa Urbana e Regional do Departamento de Planejamento Espacial dos Ambientes da Universidade de Tecnologia de Viena, falou sobre mobilidade urbana e cidades inteligentes.

Giffinger pesquisa o modelo metropolitano policêntrico, baseado no desenvolvimento descentralizado das áreas da cidade, de maneira que cada bairro consiga ser sustentável e suprir as demandas de seus moradores – segurança, trabalho, educação, saúde e entretenimento. Para tanto, é necessário que os cidadãos sejam educados a solucionar os problemas do seu entorno, tornando-se protagonistas do gerenciamento de recursos disponíveis e da articulação das mudanças.

“Um bairro eco-sustentável se desenvolve a partir do empoderamento de seus moradores. As soluções são locais, adaptadas às necessidades daquelas pessoas e às condições ambientais do local”, explicou, citando o exemplo do teleférico do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o primeiro transporte público por cabo do país.

Distribuição

No período industrial, o padrão de mobilidade urbana era pendular: o indivíduo ia de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Hoje, esse padrão é muito mais sofisticado e complexo, entre a saída de casa e o retorno, há um trajeto com pontos de parada e tempos diversos. A noção de cidade distribuída pretende atender às demandas desse sujeito que, embora precise circular diariamente por vários locais, não quer perder horas percorrendo grandes distâncias entre um ponto e outro. “Uma cidade distribuída é uma cidade que se organiza de maneira reticular, descentralizada e integrada. É uma cidade compacta, não pequena, mas compacta, de pequenas distâncias. Os serviços urbanos são mais acessíveis, melhores distribuídos”, explica Caio Vassão, doutor em Design e Arquitetura, que apresentou um protótipo de cidade distribuída no Fórum de Tecnologias para Cidades.

Crédito: Gazeta do Povo

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