COLUNA DO RAFAEL

AGENDA: Reunião do CEB

O Centro de Estudos Brasileiros do Paraná convida seus associados e simpatizantes para a reunião de sexta, dia 30, cf. abaixo, com uma pauta focada na busca de soluções para o país – a partir da melhoria da capacidade de competição para inserção na prosperidade global. Em linha o tema “Como ampliar a produtividade do Brasil”.

 

Dia: 30 de maio de 2014 (6ª.feira)

Hora: 10,00 – Recepção: 10,15 – Inicio dos trabalhos

Encerramento: 12,00 hs.

Local: Sede da ASAALEP, Rua Voluntários da Pátria, 475, 10°, sala 1012 – (Edifício Asa – Curitiba).

SUMARIO

Banco Central mantém juro básico em 11% =/= Supremo adia reposição das perdas de planos econômicos =/= Dilma libera recursos para agricultura familiar =/= Ministro dos Transportes apóia ferrovia entre Maracaju (MS) e Paranaguá (Pr) =/= Obama reorienta a política externa dos EUA: sem intervenções =/= Novo presidente da Ucrânia age com prudência na integração européia =/= Europeus reagem contra crise votando na direita =/= Corrida presidencial acelera, apesar da Copa.

 

1. NOTICIA BOA

Do Brasil: Após 9 altas consecutivas o Banco Central decidiu manter os juros básicos da economia em 11% ao ano. A decisão, tomada na reunião mensal desta semana, reflete a concepção da autoridade monetária de que as majorações anteriores – que fizeram a taxa subir de 7,5% para o patamar atual de 11% – começam a surtir efeito na contenção dos preços. Esse processo tem uma defasagem natural, explicam os economistas, porém já se reflete na retração do consumo e moderação do ímpeto de correção automática de preços dos insumos, produtos e serviços.

2. MINISTRO AQUI

 

OS FATOS

Para apresentar o panorama dos investimentos na infra-estrutura de transportes o ministro César Borges esteve hoje pela manhã em Curitiba. Na sede da Federação das Indústrias ele discorreu sobre as obras projetadas ou em execução no país, especialmente no Paraná – onde a demanda é pela implantação dos trechos Maracaju-Cascavel e (novo traçado) entre Guarapuava-Curitiba-Paranaguá dessa Ferrovia do Centro-Meridional do Brasil. No encontro com lideranças empresariais e comunitárias, o ministro dos Transportes prometeu empenho na elaboração do projeto, licenciamento ambiental e contratação da estrada  – demanda prioritária dos paranaenses.

Outro evento, na federação industrial de S. Paulo, concluiu que para um avanço sustentado, o Brasil tem que acelerar os investimentos em energia, saneamento e transporte.

ANÁLISE

O último relatório da escola de gestão IED, com apoio da Fundação Dom Cabral, mostrou queda do Brasil no índice de competitividade global. Em recente debate na “Globonews” o economista Régis Bonelli, especialista em macroeconomia, apontou como primeiro passo para a recuperação da competitividade, o investimento em infra-estrutura. Faltam, é claro, outros elementos: gestão empresarial eficiente, ambiente econômico positivo, capacitação da força de trabalho; mas, de imediato – ressalta Bonelli – a saída é investir pesado em infra-estrutura logística.

3. CORRIDA ACELERA

 

OS FATOS

Ao lado da espera pelos Jogos da Copa o mundo político acelera os preparativos para a corrida eleitoral do ano. O PT, partido da situação em nível nacional, aprovou em seu núcleo diretivo nacional, um conjunto de diretrizes para a elaboração do programa de candidatura à reeleição da presidente Dilma, com destaque para itens focados na ação social – ponto forte da atual gestão. O pré-candidato Eduardo Campos compareceu ao programa Roda Viva da TV Cultura (S. Paulo) e Aécio Neves reuniu-se com expoentes do esporte, entre eles o ex-jogador Ronaldo, de quem recebeu apoio. Em Curitiba o vice-presidente Michel Temer reuniu-se com lideres do PMDB, interessado menos em lançar candidato próprio ao governo estadual e mais em cimentar a aliança com o PT para a eleição nacional.

 

ANÁLISE  

Enquanto esperam a próxima rodada de pesquisas eleitorais os observadores da cena política trabalham com os dados à mão: o apoio formal das cúpulas do PP e PDT coloca a presidente Dilma na dianteira em espaço do horário eleitoral gratuito. Porém o ex-deputado federal Saulo Queiroz, secretário geral do PSD (presidente, o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab), avalia que desta vez a campanha dilmista será mais complicada do que em 2010: o surgimento de candidatos competitivos no Nordeste (Eduardo Campos) e Minas Gerais (Aécio Neves), tende a subtrair votos dados naquele pleito à chapa liderada pelo PT. Ao lado de outros fatores da conjuntura, como a desaceleração do ciclo de crescimento vigoroso que se registrava à época.

4. EUROPA CÉTICA

 

OS FATOS

Os 28 países da Europa unida tiveram eleições para o Parlamento comunitário no último domingo, com resultados preocupantes. Na maioria deles venceram partidos radicais de feição ultradireitista ou contrários à continuidade da moeda comum, o euro. A nova composição do Parlamento Europeu, de 751 membros, ainda acusa maioria de centro-direita, mas os radicais céticos avançaram para um quarto das cadeiras.

ANÁLISE

O ceticismo europeu se explica pela lentidão do bloco em escapar da crise mundial desencadeada em 2008 e que se prolonga até os dias atuais. O continente como um todo se ressente da perda de competitividade ante parceiros mais dinâmicos, como os Estados Unidos e os países asiáticos. Uma das explicações repousa na rigidez do sistema de bem-estar social, com sua proteção ampliada aos trabalhadores e grupos em desvantagem; a crescente e entorpecedora burocracia euro-unionista e a condição demográfica geral. Como exemplo, o Banco Central Europeu até recentemente se recusava a apoiar os países em crise, aprisionado por dogmas monetaristas que perderam razão – como deixou evidente a gestão norte-americana do colapso dos anos recentes: despejar dinheiro nos mercados para salvar a moeda, os bancos e a população.

5. DILEMA NO BRASIL

 

OS FATOS

No Brasil a situação guarda semelhança com as contradições dos europeus. Reunidos em seminário organizado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, destacados acadêmicos da área de Economia destilaram receitas para o país voltar a crescer – preservando sua base industrial. Para esse setor produtivo a recomendação é de realinhar o câmbio (agora afetado pela política de controle da inflação), qualificar a força de trabalho aplicada aos serviços para integrar tais aspectos de ponta com a industria (marketing de pós-venda, design de produtos, assistência financeira, etc) e a busca incessante de produtividade

ANÁLISE

Mas a receita não ficou fechada: sobraram dúvidas não esclarecidas pelos PHDs reunidos pela Fundação Getúlio Vargas. Para evitar a armadilha da estagnação e dobrar a renda em 20 anos o país precisa crescer 4% ao ano em média. Porém, como obter essa aceleração (atualmente o avanço não é maior do que 1,5%) Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da FGV em São Paulo, sugere enfrentar o “trio mortal”: juros elevados, câmbio valorizado e alta carga tributária. David Kupfer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, quer foco na industria de alta tecnologia. José Luís Oreiro, que foi professor na UFPR, passou por Brasília e hoje está no Instituto de Economia da UFRJ, propõe metas de superávit para frenar o gasto corrente na área pública; que para Nelson Barbosa (ex-secretario do Ministério da Fazenda) deve subir para até 3,5% do orçamento.

 

6. UCRANIA ELEGE

 

OS FATOS

Na Ucrânia a eleição de um novo governo afastou a sombra de uma desintegração nacional derivada da posição do país como dupla fronteira entre dois mundos: de um lado o Ocidente euro-americano, de outro a potência russo-oriental. O escolhido, um magnata da industria de alimentos (chocolates), proclamou sua disposição de manter a integridade territorial porém assegurando dialogo com a vizinha Rússia. No intervalo entre a eleição, domingo passado, e a posse do novo governo (nos primeiros dias de junho), as autoridades interinas desencadearam pesada ação militar para recuperar áreas e pontos públicos que estavam em poder de rebeldes separatistas no leste da Ucrânia.

ANÁLISE

Pode ser que Petro Poroschenko tenha solicitado ao governo provisório de Kiev essa intervenção de limpeza, para facilitar seu trabalho depois de empossado. O fato é que o novo dirigente, embora mantendo um discurso firme contra o movimento separatista, também não manifestou pressa em retomar o polêmico acordo de integração com a União Européia – pivô da retaliação russa e da crise política que desestabilizou a Ucrânia. Levando em conta a inabilidade dos eurocratas para tocar a política unitária do próprio bloco (expressa na severa derrota eleitoral desta semana), o novo líder ucraniano acerta ao exercitar prudência nessa questão. Que o clima ficou menos tenso foi evidenciado pelas bolsas de valores: elas se recuperaram em todos os mercados principais.

 

MISCELÂNEA

Presidente Obama anunciando um novo viés na política externa dos Estados Unidos. Em vez de correr loucamente, mundo afora, para derrubar ditadores ou líderes não amigáveis e assim, “espalhar democracia”, os norte-americanos agora vão procurar uma atuação mais diplomática. Na base do “soft power” que, afinal, representa o legado duradouro da terra de Benjamin Franklin e Abraham Lincoln.

 

MISCELÂNEA (II)

Dando continuidade ao seu planejamento agrícola para a próxima safra, o governo federal anunciou recursos de R$ 24,1 bilhões para a agricultura familiar. A cerimônia presidida por Dilma Rousseff focou na geração de alimentos para abastecimento interno, área considerada crítica para a oferta de comida e estabilidade de preços. Para tanto foram assegurados mecanismos como assistência técnica mais efetiva, apoio à modernização (mecanização, armazenagem, transformação de produtos “in natura” para alimentos processados e seguro de crédito, entre outros)

MISCELÂNEA (III)

Perdas por planos econômicos passados ainda têm reposição pendente, após o Supremo Tribunal Federal ter adiado sua decisão sobre o assunto. A reposição foi julgada em instância intermediária – Superior Tribunal de Justiça – mas bancos e a União recorreram, por entender que o pagamento envolve aspectos constitucionais, ao afetar a capacidade de solvência dos bancos e a estabilidade da moeda.

 Rafael-de-Lala

Rafael de Lala,

Presidente da API, pela Coordenação do

Centro de Estudos Brasileiros do Paraná

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